quinta-feira, 4 de julho de 2013

MP da importação de médicos terá forte resistência no congresso

Ao participar de manifestação de médicos, democratas definem como eleitoreira e irresponsável medida governista de trazer profissionais sem qualificação comprovada

Deputados do Democratas declararam nesta quarta-feira (3/7), que a Medida Provisória da importação de médicos sem validação de diploma terá forte resistência no Congresso Nacional.

O líder da bancada, Ronaldo Caiado (GO), e o deputado Mandetta (MS) apoiaram manifestação de médicos em Brasília que protestaram contra a contratação de profissionais estrangeiros sem qualificação comprovada. 

 “Vim não só para apoiar os médicos, mais do que isso, para mostrar que vou trabalhar duramente no Congresso Nacional para demonstrar que isso é de uma irresponsabilidade ímpar. Querer nivelar a medicina brasileira por baixo desrespeitando a saúde da população é algo inaceitável, demagógico e oportunista”, avaliou Caiado.  “No momento em que ocorrerem óbitos nas mãos desses médicos que não tenham licença médica para exercer a medicina no Brasil de quem será a responsabilidade? Sem dúvida nenhuma, da presidente da República e do ministro da Saúde que vão assinar essa Medida Provisória”, alertou o parlamentar goiano.

“Este é um movimento pela ética. O Código de Ética Médica sancionado em 1957 pelo presidente Juscelino Kubistchek colocou muito claramente que para ser médico no País teria que ser certificado os diplomas, os conhecimentos, os títulos”, concorda Mandetta. “Hoje, os médicos estão falando para esse governo de brasileiros que estão indo as ruas por essa crise moral de corrupção, de má gestão. Os brasileiros estão pedindo melhores serviços que um plebiscito sobre reforma política não vai resolver. Querem resolver? Faz um plebiscito e coloca a seguinte pergunta: você quer ser atendido por um médico que não tem certificação? Essa é a pergunta”, opinou o deputado sul-matogrossense.

Mandetta demonstrou preocupação com os possíveis erros médicos que poderão surgir a partir do atendimento desses profissionais contratados sem validação do diploma com a anuência do governo Dilma. “Quem é que vai indenizar um erro médico, é o mesmo governo que está falando que vai permitir? Esse governo representando por um ministro da saúde que está com uma agenda política pensando nas próximas eleições e não nas próximas gerações de brasileiros. Essa é uma luta que diz respeito a todos nós porque o que está em jogo é a vida de cada um de nós”, afirmou.

Para Caiado, essa mobilização dos médicos é uma reação a uma discriminação que o governo do PT quer promover a oferecer profissionais sem qualificação comprovada para atender a população mais humilde do interior do Brasil. “Os médicos dizendo a toda a população brasileira que as pessoas que estão editando essa Medida Provisória não querem ser tratadas por esses médicos cubanos. Eles querem ser tratados por bons e competentes médicos no País”, pontuou. “Estão criando o Brasil do baixo clero. O alto clero tem condições de se tratar com médicos reconhecidos. Do outro lado, trazem médicos sem a menor qualificação – posso dizer isso porque se não farão a prova, são desqualificados – para tratar a população humilde”, acrescenta o democrata.

“Não sou contra que venham médicos estrangeiros, mas é necessário que essa qualificação seja exigida. Trazer pessoas para medicina, engenharia, para pilotar avião desqualificados é um crime. Estamos nessa luta séria, e honesta contra o esforço de expor nossa população  a grupos desqualificados”, atestou o cardiologista Ozório Rangel, médico com 40 anos de profissão que participou da manifestação.

Carreira de médico de estado

Caiado voltou a defender a criação da carreira de estado para médicos por meio de Proposta de Emenda Constitucional de sua autoria (PEC 454/2009).  “O governo nunca quis apoiá-la, seria uma maneira de se fazer com que o médico pudesse ir para o interior e ter a garantia que ele não vai ficar sobre a vontade e o humor do prefeito da cidade. Terá estabilidade para exercer a profissão com salários dignos aposentadoria digna”, argumenta. O líder do Democratas destaca ainda que enviar mais médicos sem fornecer a infraestrutura adequada com hospitais, equipamentos, medicamentos etc não resolve o problema ao contrário do que vem divulgando o governo federal.

Fonte: Assessoria Democratas